Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your
contribution is not tax-deductible.)
PayPal Acct:
Feedback:
Donate to VoyForums (PayPal):
| 19/04/26 6:14:53 | [ Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 1, 2, [3], 4, 5, 6, 7, 8 ] |
| Subject: Re: Marx, Lei do Valor, Tempo-de-Trabalho e "Demonstração" - 3 | |
|
Author: Guilherme Statter |
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 14/09/06 14:04:34 In reply to: Guilherme Statter 's message, "Marx, Lei do Valor, Tempo-de-Trabalho e "Demonstração" - 1" on 13/09/06 16:02:42 Deixo aqui, uma vez mais, um desafio para o Guilherme: - onde e quando é que o Marx demonstrou que o valor resulta do tempo de trabalho ? Neste pequeno exercício de "demonstração", entretanto, é preciso estabelecer algumas premissas ou postulados: 1 - Esta exposição trabalha apenas com o conceito genérico e abstracto de "valor", (de âmbito societal), não considerando a sua expressão variável e diversificada em "preços". Por exemplo, o famigerado problema da "transformação de "valores" em "preços de produção" não vem para aqui chamado. 2 – Para medir o que quer que seja é necessário um referencial qualquer exterior ou distinto da coisa a medir. Em termos absolutamente gerais não existe conhecimento se não a partir do "não ser como diferença" ou alteridade. Tal como assinalado por Enrico Rambaldi (Dialéctica, 1988), o caso clássico desta alteridade (no processo de medida aplicado às ciências sociais) é a equação estudada por Marx e que designa a forma de valor simples: x mercadorias A = y mercadorias B (20 braças de tecido = 1 fato). Esta equação exprime a forma simples de valor e também aqui não apenas no sentido de que é a mais simples e a originária (ou seja, a mais antiga historicamente) mas também e sobretudo no sentido de que é a ponta lógica do fio de Ariadne que leva, com a análise, a descobrir "o arcano de toda a forma de valor" (Rambaldi, 1988) Por outro lado, "só a alteridade define a identidade" (eu só me apercebo ou tomo consciência de que sou Português quando me encontro face a face com outros seres humanos de outras nacionalidades). Ou seja, só a alteridade das formas é que permite reconhecer a identidade da essência valorimétrica: neste caso o tempo-de-trabalho socialmente reconhecido como sendo necessário para a produção das mercadorias em presença. Para o caso aqui em apreço, basta referir a seguinte passagem que se encontra em Marx: "Já que nenhuma mercadoria pode referir-se a si própria como equivalente (não faz qualquer sentido afirmar que uma onça de ouro vale uma onça de ouro... GS), nem portanto pode fazer da sua própria forma corpórea a expressão do seu próprio valor, ela deve referir-se a outra mercadoria como equivalente, ou seja, deve fazer da forma corpórea de uma outra mercadoria a própria forma de valor" (Marx, O Capital - 1867). Para mim o texto mais sucinto que encontrei, onde Marx "demonstra" (em rigor, explica ou clarifica a definição então socialmente aceite) que o valor das mercadorias se mede pelo tempo de trabalho socialmente necessário, encontra-se em Critica da Economia Politica (Karl Marx, 1859) Parte I A Mercadoria (tradução livre, mas quase literal, de uma versão em Inglês – GS) Se uma onça de ouro, uma tonelada de ferro, um alqueire de trigo e vinte jardas de seda são valores de troca de igual magnitude ou equivalentes, então uma onça de ouro, uma metade de tonelada de ferro, três sacos de trigo e cinco jardas de seda são valores troca que têm magnitudes muito diferentes e esta diferença quantitativa é a única diferença de que são capazes, enquanto valores de troca. Enquanto valores de troca de diferentes magnitudes, representam maiores ou menores porções, maiores ou menores quantidades de trabalho genérico, simples, homogéneo, abstracto. Levanta-se então a questão de como podem ser medidas estas quantidades ? Ou então a questão coloca-se de saber qual é a forma quantitativa de existência deste trabalho, dado que as diferenças quantitativas das mercadorias enquanto valores de troca, são apenas as diferenças quantitativas do trabalho nelas incorporado. Tal como o movimento é medido em tempo, também o trabalho é medido por "tempo-de-trabalho". Se assumirmos como dada a qualidade do trabalho, as variações na duração do trabalho são as únicas possíveis diferenças que podem ocorrer. O tempo de trabalho é medido em termos de unidades naturais de tempo, i.e. horas, dias, semanas, etc. Tempo de trabalho é o estado vivo da existência de trabalho, independentemente da sua forma, do seu conteúdo e das suas características individuais; é o aspecto quantitativo do trabalho assim como a sua inerente medida. O tempo de trabalho materializado nos valores de uso das mercadoria é simultaneamente a substância que os transforma em valores de troca (e portanto em mercadorias) e a norma pela qual é medida a dimensão exacta do seu valor. As correspondentes quantidades dos diferentes valores-de-uso contendo a mesma quantidade de tempo-de-trabalho, são equivalentes; quer dizer, quando considerados em proporção todos os valores de uso são equivalentes quando contêm a mesma quantidade de tempo-de-trabalho gasto e materializado. Vistas como valores-de-troca, todas as mercadorias são meramente quantidades de tempo-de-trabalho congelado. Como sugeri mais acima, é claro que se poderá aqui argumentar que Marx se "limita" a afirmar uma ideia ou a definir ou declarar uma determinada e específica maneira de "medir o valor", o que faz recorrendo ao critério "tempo-de-trabalho" (reconhecido como socialmente necessário). Creio que nos aproximaremos da ideia de "demonstração" se reflectirmos um pouco sobre a forma como se estabelece em qualquer disciplina ou ramo das Ciências (físicas, naturais, humanas ou sociais) o processo de medida. Essa sim, será a questão central do desafio lançado pelo FPR. Até na medida em que FPR começou este desafio por reconhecer o trabalho como fonte ou origem do valor. Espero continuar... [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Algumas questões que exigem reflexão | Fernando Penim Redondo | 14/09/06 16:39:31 |
|
||