| Subject: Re: Autonomia e computador (6 a 12 de janeiro) |
Author: Marcos Racilan
| [ Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 05:45:16 01/11/03 Sat
In reply to:
Vera Menezes
's message, "Autonomia e computador (6 a 12 de janeiro)" on 05:25:23 01/03/03 Fri
>Discuta algumas questões levantadas por Deborah Healey
> que são relevantes para sustentar sua conclusão de
>que a tecnologia pode ser uma ferramenta valiosa para
>a aprendizagem autônoma. Tente relacionar essas
>questões ao conceito de “software de autoria” e a
>exemplos desses softwares presentes no capítulo de
>Robert Wachman. Procure na web informações sobre
>alguns dos softwares descritos no mesmo artigo. É
>provável que alguns deles ofereçam versões demo que
>você pode baixar da web.
>No final da semana vou indicar um software de autoria
>gratuito que não está presente na web.
>
>Vera
Deborah Healey (EGBERT & HANSON-SMITH, 1999) destaca o elemento cultural na implementação da autonomia no ensino/aprendizagem de língua mediado por computador (p. 392). Mostra que este é um conceito ocidental e relevante para nós, mas não necessariamente para muitos outros países cujo arcabouço cultural não aceita bem a independência dos mais novos em relação aos mais velhos. Acredito que estes conceitos sejam especialmente difíceis de serem trabalhados em países como Coréia, Japão, China, onde a reverência dos jovens aos mais velhos é um valor ancestral, inquebrantável a curto ou médio prazo.
E não precisamos ir muito longe para encontrarmos resistência a esses conceitos de vanguarda. Todos os meus amigos próximos que fizeram curso de inglês na Inglaterra afirmam que o curso lá é explicitamente audio-lingual. A análise que fiz é que nós somos geralmente muito ávidos para experimentar o novo, o que não é ruim..., mas esta postura parece não ser compartilhada por culturas que, mesmo ocidentais, têm uma característica fortemente tradicionalista.
(O curioso é muitas destas teorias surgem ou são divulgadas a partir de lá na Inglaterra. Vocês já tiveram notícia de coisa igual?)
Healey cita:
“Ideal self-directed learners are always motivated to learn by some internal fire that never needs stoking from a teacher-facilitator.” (EGBERT & HANSON-SMITH, 1999: 395)
Nunca imaginei encontrar na literatura alguém que falasse tão exatamente o que imagino como ideal de aluno autônomo. Gostei!
“Dickinson (1987) describes this type of learning as autonomy, in which a fully autonomous learner would not even necessarily need a teacher or an institution for learning to occur. The learner is responsible for all elements in this setup, including deciding how evaluation will take place.” (EGBERT & HANSON-SMITH, 1999: 394)
Estas afirmações são bastante complicadas. Acho mais conveniente nossas conclusões na discussão dos textos de Benson (2001) e Voller (1997) no princípio do curso. O que Dickinson está chamando de autonomia é na realidade auto-didatismo, o que é completamente diferente da proposta de autonomia em aprendizagem em que acreditamos, a qual inclui o professor e pressupõe a interdependência entre todos os envolvidos no “ Círculo de Cultura” (FREIRE), para uma construção social do conhecimento. Ao longo do seu texto, Healey parece estar falando de uma aprendizagem individual, apesar de reconhecer que “os aprendizes trabalhando em pares freqüentemente alcançam melhores resultados” (p. 399).
Além deste problema de independência X interdependência, no que se refere ao controle sobre o tempo, ela sugere que o “aumento das fontes ‘on-line’ acessíveis de casa tem feito a aprendizagem autônoma mais possível, em muitas vezes removendo travas relacionadas a tempo e local de acesso à tecnologia” (p. 401). Perfeito, mas isto pressupõe que os alunos terão como pagar pelo equipamento e pelo acesso à Internet, o que ainda não é uma realidade no atual contexto do Brasil.
(Eu, por exemplo, até hoje uso o acesso grátis de provedores como Ig, Yahoo e BRFree, como a maioria das pessoas que conheço)
Outro problema que acredito vale a pena ser discutido é que neste tipo de proposta que Healey faz, a avaliação tanto dos softwares como a auto-avaliação dos alunos são baseadas no produto final e não no processo de aprendizagem. Uma tendência que temos tentado modificar já há algum tempo dentro da lingüística aplicada.
Os “softwares de autoria” apresentados no texto de Wachman (EGBERT & HANSON-SMITH, 1999: 403-426) são consistentes com a proposta de Healey e portanto as críticas que fiz são as mesmas. As atividades são geralmente audio-linguais, na medida em que propõem ‘drillings’, modelos para serem repetidos, um foco no produto, além de trabalhar com uma perspectiva quantitativa de avaliação certo-errado, dentre outros problemas. O ‘background’ profissional de Wachman e a narração de sua experiência com os “softwares de autoria” (p. 412-414) remontam abordagens de ensino ainda anteriores ao audio-lingualismo. Isso não quer dizer que não acho os exercícios apresentados interessantes ou os softwares úteis, mas que eles estão bem aquém do atual nível das discussões do que é adequado e inadequado em lingüística aplicada, para ambiente de sala de aula. Entendo, todavia, que não dispomos ainda da tecnologia para tornar o ambiente virtual totalmente comunicativo. Dispomos hoje de ferramentas como o e-mail, o fórum, as vídeo-conferências ou vídeo-papos (‘NetMeeting’ do Windows, por exemplo) e os ‘chats’ que são exemplos de que um dia chagaremos lá.
Quem sabe, como escrevemos hoje sobre o “ensino comunicativo de línguas”, daqui a alguns anos, estaremos pesquisando e escrevendo sobre o “ensino VIRTUAL comunicativo de línguas”? O nome é ‘appealing’, não é?
Sobre os softwares de hipermídia apresentados por Wachman, acho que são ultrapassados e não valem a pena. Como ele mesmo aponta no fim do seu texto (p. 422-424) qualquer um com pouco ou nenhum conhecimento de programação pode usar programas como o Microsoft FrontPage do Windows e construir sua própria homepage e dispor de recursos superiores aos dos programas de hipermídia. Eu fiz isso no mês passado... Usando o Microsoft Word 2002 e o Microsoft FrontPage 2002 criei uma página na rede para mim, pensando nos meus alunos. O Word é muito limitado e o FrontPage é cheio de ‘bugs’, por isso, comprei o DreamWeaver da MacroMedia que é um dos melhores softwares para ‘webdesigners’ atualmente. Ainda estou aprendendo a usá-lo.
Aí podem argumentar: e se eu quiser dar minha página para um amigo que não tem Internet?
Muito simples! É só copiar o programa para o computador dele que ele vai rodar com qualquer browser. A única coisa que não vai funcionar neste caso são os ‘links’ com a rede que você fizer.
Muito melhor e com maiores possibilidades.
Espero ter contribuído com algo útil.
Grande abraço,
Marcos.
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
] |
|