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Subject: Re: Autonomia e computador (6 a 12 de janeiro)


Author:
Maristela
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Date Posted: 05:31:34 01/11/03 Sat
In reply to: Vera Menezes 's message, "Autonomia e computador (6 a 12 de janeiro)" on 05:25:23 01/03/03 Fri

Semana 7 - II parte: Tecnologia: ferramenta valiosa para a aprendizagem autônoma

Sugeriu-se que o professor deve tentar encorajar o aluno a ter uma atitude de auto-confiança e independência, a fim de ele “buscar” sua aprendizagem mais eficazmente, respeitando/partindo dos valores culturais dos aprendizes e pais.

Os softwares "autorable" e "authoring" foram também discutidos. "Authorable" são programas nos quais dados são acrescentados, geralmente na forma de texto, de acordo com as necessidades específicas dos aprendizes, relacionados ao grau de dificuldade, interesse, cultura... Foram apresentados os programas Eclipse e MacReader. No software de autoria, há o desenvolvimento, construção e modificação de materiais educacionais, tendo sido ressaltados softwares criados especialmente para o ensino-aprendizagem de línguas, bem como softwares de autoria - multimídia. Informações importantes sobre diversos softwares foram apresentadas.

Enfatizou-se, também, que a aprendizagem de CALL autônoma propicia ao aprendiz a construção de sua autonomia de diversas maneiras e alguns desses pontos positivos que sustentam essa argumentação estão abaixo mencionados.

- o professor pode propiciar ao aluno buscar seu caminho, sua aprendizagem, a partir do seu conhecimento prévio, agindo mais ativamente. (p. 392, 410)
- o input do aprendiz não vem somente de um único mediador (p. 392), mas também das diversas possibilidades de escolhas e uso pelo aprendiz, sendo o recurso on line riquíssimo para esse fim;
- o aluno negocia o que (what) e quando aprender (when), seu ritmo de estudo, a partir de seus objetivos (why), sendo que o conteúdo está no contínuo fixo a variável (p. 392-3);
- As diferenças individuais e preferências dos aprendizes são, geralmente, respeitadas (p. 394);
- O aprendiz trabalha com atividades que tenham nível adequado de desafio ou dificuldade (p. 397-8)
- Diversidade de atividades disponíveis na web ( p. 399, 406)
- Pode haver combinações de formas textuais, gráficas e auditivas (p.407)
- Nos softwares, os aprendizes podem ter a impressão de que estão manipulando objetos e se movendo no espaço, mesmo que ele esteja movimentando as mãos e cérebro (p. 399)
- Aprendizes podem trabalhar aos pares, o que frequentemente gera resultado/aprendizagem melhor (p. 399), podendo reduzir as barreiras do processo de ensino-aprendizagem;
- Na maioria das atividades dos softwares, há feedback (p. 399). Isso propicia ao aluno desenvolver auto-correção-reflexiva e crítica sobre sua produção ou correção aos pares (pair work)
- O aprendiz pode acessar/desenvolver sua atividade em local e tempo adequados a ele.
- Pode-se definir os objetivos e linguagem, no início do processo de aprendizagem (p.401)
- Interação real, MOOs e chat...
- Auto-avaliação do aprendiz baseada no como os aprendizes desenvolveram a avaliação, bem como trabalharam como o material (p. 402) e também através de possíveis registros do que o aluno julga ser relevante, ou seja, registrando informação para auto-avaliação
- Os aprendizes podem ser os autores das atividades, já que eles podem modificar, criar os softwares de autoria
- Aprendizes podem desenvolver projetos colaborativos (419), produzir web page (p. 424)...

Percebe-se que Healley (1999) e Wachman (1999) enfatizam atividades relacionadas ao que fazer, como fazer, porquê fazer (Teoria da atividade, Leontiev, 1981), bem como ao quando fazer e ao contexto sócio-histórico cultural do aprendiz, ou seja, relacionadas às condições de produção do discurso. Além disso, os títulos e o textos de Healey e Wachman (op.cit.) sugerem que quando se aprende o uso na prática investigativa-reflexiva, quando professores e alunos trabalham para obterem metas semelhantes, quando o aluno administra mais sua aprendizagem (p.404), pode haver uma aquisição de língua mais eficaz. Nesse sentido, aprender (usar) e investigar de maneira reflexiva (agir-refletir), crítica e responsável são ações que andam juntas na construção da autonomia.

Por fim, destaca-se que os benefícios da aprendizagem mediada por computador são diversos e esse conhecimento é, atualmente, essencial não somente para o aprendiz de línguas, mas de qualquer área da educação. Sem dúvida, o computador, ensino-aprendizagem online/softwares, apresenta-se como uma ferramenta necessária e valiosa na construção da autonomia do aprendiz.

Um grande abraço pessoal.
Maristela

Referências bibliográficas

Leontiev, A.N. the problem of activity in psychology. In: WERTSCH, J. (Ed) .The concept of activity in soviet psychology. Armonk, NY: Sharpe, 1981

Headley, D. Theory and research: autonomy in language learning. IN: EGBERT, J. & HANSON-SMITH, E. (Eds. ) CALL environments: research, practice and critical issues. Alexandria. Virgínia: TESOL, 1999. p. 391-402

Wachman, R. Classroom practice: autonomy through authoring software. IN: EGBERT, J. & HANSON-SMITH, E. (Eds. ) CALL environments: research, practice and critical issues. Alexandria. Virgínia: TESOL, 1999. p.403-426

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Replies:
[> Subject: Re: Autonomia e computador (6 a 12 de janeiro)


Author:
Marcos Racilan
[ Edit | View ]

Date Posted: 05:45:16 01/11/03 Sat

>Discuta algumas questões levantadas por Deborah Healey
> que são relevantes para sustentar sua conclusão de
>que a tecnologia pode ser uma ferramenta valiosa para
>a aprendizagem autônoma. Tente relacionar essas
>questões ao conceito de “software de autoria” e a
>exemplos desses softwares presentes no capítulo de
>Robert Wachman. Procure na web informações sobre
>alguns dos softwares descritos no mesmo artigo. É
>provável que alguns deles ofereçam versões demo que
>você pode baixar da web.
>No final da semana vou indicar um software de autoria
>gratuito que não está presente na web.
>
>Vera

Deborah Healey (EGBERT & HANSON-SMITH, 1999) destaca o elemento cultural na implementação da autonomia no ensino/aprendizagem de língua mediado por computador (p. 392). Mostra que este é um conceito ocidental e relevante para nós, mas não necessariamente para muitos outros países cujo arcabouço cultural não aceita bem a independência dos mais novos em relação aos mais velhos. Acredito que estes conceitos sejam especialmente difíceis de serem trabalhados em países como Coréia, Japão, China, onde a reverência dos jovens aos mais velhos é um valor ancestral, inquebrantável a curto ou médio prazo.
E não precisamos ir muito longe para encontrarmos resistência a esses conceitos de vanguarda. Todos os meus amigos próximos que fizeram curso de inglês na Inglaterra afirmam que o curso lá é explicitamente audio-lingual. A análise que fiz é que nós somos geralmente muito ávidos para experimentar o novo, o que não é ruim..., mas esta postura parece não ser compartilhada por culturas que, mesmo ocidentais, têm uma característica fortemente tradicionalista.
(O curioso é muitas destas teorias surgem ou são divulgadas a partir de lá na Inglaterra. Vocês já tiveram notícia de coisa igual?)

Healey cita:

“Ideal self-directed learners are always motivated to learn by some internal fire that never needs stoking from a teacher-facilitator.” (EGBERT & HANSON-SMITH, 1999: 395)
Nunca imaginei encontrar na literatura alguém que falasse tão exatamente o que imagino como ideal de aluno autônomo. Gostei!

“Dickinson (1987) describes this type of learning as autonomy, in which a fully autonomous learner would not even necessarily need a teacher or an institution for learning to occur. The learner is responsible for all elements in this setup, including deciding how evaluation will take place.” (EGBERT & HANSON-SMITH, 1999: 394)
Estas afirmações são bastante complicadas. Acho mais conveniente nossas conclusões na discussão dos textos de Benson (2001) e Voller (1997) no princípio do curso. O que Dickinson está chamando de autonomia é na realidade auto-didatismo, o que é completamente diferente da proposta de autonomia em aprendizagem em que acreditamos, a qual inclui o professor e pressupõe a interdependência entre todos os envolvidos no “ Círculo de Cultura” (FREIRE), para uma construção social do conhecimento. Ao longo do seu texto, Healey parece estar falando de uma aprendizagem individual, apesar de reconhecer que “os aprendizes trabalhando em pares freqüentemente alcançam melhores resultados” (p. 399).

Além deste problema de independência X interdependência, no que se refere ao controle sobre o tempo, ela sugere que o “aumento das fontes ‘on-line’ acessíveis de casa tem feito a aprendizagem autônoma mais possível, em muitas vezes removendo travas relacionadas a tempo e local de acesso à tecnologia” (p. 401). Perfeito, mas isto pressupõe que os alunos terão como pagar pelo equipamento e pelo acesso à Internet, o que ainda não é uma realidade no atual contexto do Brasil.
(Eu, por exemplo, até hoje uso o acesso grátis de provedores como Ig, Yahoo e BRFree, como a maioria das pessoas que conheço)

Outro problema que acredito vale a pena ser discutido é que neste tipo de proposta que Healey faz, a avaliação tanto dos softwares como a auto-avaliação dos alunos são baseadas no produto final e não no processo de aprendizagem. Uma tendência que temos tentado modificar já há algum tempo dentro da lingüística aplicada.
Os “softwares de autoria” apresentados no texto de Wachman (EGBERT & HANSON-SMITH, 1999: 403-426) são consistentes com a proposta de Healey e portanto as críticas que fiz são as mesmas. As atividades são geralmente audio-linguais, na medida em que propõem ‘drillings’, modelos para serem repetidos, um foco no produto, além de trabalhar com uma perspectiva quantitativa de avaliação certo-errado, dentre outros problemas. O ‘background’ profissional de Wachman e a narração de sua experiência com os “softwares de autoria” (p. 412-414) remontam abordagens de ensino ainda anteriores ao audio-lingualismo. Isso não quer dizer que não acho os exercícios apresentados interessantes ou os softwares úteis, mas que eles estão bem aquém do atual nível das discussões do que é adequado e inadequado em lingüística aplicada, para ambiente de sala de aula. Entendo, todavia, que não dispomos ainda da tecnologia para tornar o ambiente virtual totalmente comunicativo. Dispomos hoje de ferramentas como o e-mail, o fórum, as vídeo-conferências ou vídeo-papos (‘NetMeeting’ do Windows, por exemplo) e os ‘chats’ que são exemplos de que um dia chagaremos lá.
Quem sabe, como escrevemos hoje sobre o “ensino comunicativo de línguas”, daqui a alguns anos, estaremos pesquisando e escrevendo sobre o “ensino VIRTUAL comunicativo de línguas”? O nome é ‘appealing’, não é?

Sobre os softwares de hipermídia apresentados por Wachman, acho que são ultrapassados e não valem a pena. Como ele mesmo aponta no fim do seu texto (p. 422-424) qualquer um com pouco ou nenhum conhecimento de programação pode usar programas como o Microsoft FrontPage do Windows e construir sua própria homepage e dispor de recursos superiores aos dos programas de hipermídia. Eu fiz isso no mês passado... Usando o Microsoft Word 2002 e o Microsoft FrontPage 2002 criei uma página na rede para mim, pensando nos meus alunos. O Word é muito limitado e o FrontPage é cheio de ‘bugs’, por isso, comprei o DreamWeaver da MacroMedia que é um dos melhores softwares para ‘webdesigners’ atualmente. Ainda estou aprendendo a usá-lo.
Aí podem argumentar: e se eu quiser dar minha página para um amigo que não tem Internet?
Muito simples! É só copiar o programa para o computador dele que ele vai rodar com qualquer browser. A única coisa que não vai funcionar neste caso são os ‘links’ com a rede que você fizer.
Muito melhor e com maiores possibilidades.


Espero ter contribuído com algo útil.

Grande abraço,

Marcos.
[> [> Subject: Re: Autonomia e computador (6 a 12 de janeiro)


Author:
Junia Braga
[ Edit | View ]

Date Posted: 07:32:47 01/11/03 Sat

Marcos,
Suas contribuiçoes são sempre muito interessantes e eu particularmente gosto muito do de lê-las. Primeiramente gostaria de comentar sobre a minha experiência sobre cursos de inglês no exterior.Tenho notícias de alguns cursos na Inglaterra e na sua grande maioria eles não têm abordagem audio-lingual. Até acredito de que existam cursos que ainda usem esse método lá e sabemos que não é só na Inglaterra.Sempre que meus alunos resolvem fazer curso no extrerior partimos para uma pesquisa criteriosa dos cursos.

“"Dickinson (1987) describes this type of learning as autonomy, in which a fully autonomous learner would not even necessarily need a teacher or an institution for learning to occur. The learner is responsible for all elements in this setup, including deciding how evaluation will take place.” (EGBERT & HANSON-SMITH, 1999: 394)
Estas afirmações são bastante complicadas. Acho mais conveniente nossas conclusões na discussão dos textos de Benson (2001) e Voller (1997) no princípio do curso."
Concordo com você que Benson e Voller defendem a construçao da autonomia fundamentada na interdependencia.Entretanto, eu percebi que Healey em EGBERT & HANSON-SMITH 1999 vão de um extremo ao outro do pêndulo quando nos demonstram no quadrante possíveis etapas de construçao da autonomia via tecnologia.A 'CELL A por exemplo, como a autora mesmo comenta, parece ter sido um dos únicos recursos dos anos 80.Se voltarmos ao texto de Warschauer proposto no curso, podemos entender melhor onde ela se enquadra no contexto da evoluçao de CALL.
Concordo também com você que algumas das atividades de softwarwe propostas são uma versão do 'drill and kill'.Acredito também que cabe ao professor decidir o 'setting' que ele vai propor mesmo porque,eu como professora, dependendo do nível e interesse do aluno me vejo usando Cell A.
Pelo que entendi do texto, Healey demonstra no quadrante um possível processo com um produto ideal de ' autonomia plena '.Na minha opinião, quando ela fala de autonomia plena ela está defendendo a nova perspectiva de autonomia na educaçao.
Os software apresentados por Wachman também são um leque de alternativas.Tem muita coisa boa ali. Compartilho das opinioes de Levy(1997) e Warschauer(1998) que que a evoluçao de CALL 'has come a long way'. Acho que nessa fase de CALL que nos encontramos atualmente temos que ser críticos e analisarmos bem as propostas e os materiais mas tem muita coisa aí , na minha opinião, que pode ser muito bem aproveitada!!!
Um grande abraço,
Junia
[> [> [> Subject: Re: Autonomia e computador (6 a 12 de janeiro)


Author:
Marcos Racilan
[ Edit | View ]

Date Posted: 08:47:56 01/11/03 Sat

>Primeiramente gostaria de comentar sobre a minha
>experiência sobre cursos de inglês no exterior.Tenho
>notícias de alguns cursos na Inglaterra e na sua
>grande maioria eles não têm abordagem audio-lingual.

É que minhas informações vieram de alguns amigos que provavelmente não tiveram muita sorte. :o)
Bom saber.

>Entretanto, eu percebi que Healey em
>EGBERT & HANSON-SMITH 1999 vão de um extremo ao outro
>do pêndulo quando nos demonstram no quadrante
>possíveis etapas de construçao da autonomia via
>tecnologia.A 'CELL A por exemplo, como a autora mesmo
>comenta, parece ter sido um dos únicos recursos dos
>anos 80.Se voltarmos ao texto de Warschauer proposto
>no curso, podemos entender melhor onde ela se enquadra
>no contexto da evoluçao de CALL.

>Os software apresentados por Wachman também são um
>leque de alternativas.Tem muita coisa boa ali.
>Compartilho das opinioes de Levy(1997) e
>Warschauer(1998) que que a evoluçao de CALL 'has come
>a long way'. Acho que nessa fase de CALL que nos
>encontramos atualmente temos que ser críticos e
>analisarmos bem as propostas e os materiais mas tem
>muita coisa aí , na minha opinião, que pode ser muito
>bem aproveitada!!!

Concordo com vc. Talvez eu tenha soado "too picky" nos meus comentários. Eu gostei de ter lido os textos.

Muito obrigado,

Marcos.
[> [> [> Subject: Re: Autonomia e computador (6 a 12 de janeiro)


Author:
Junia Braga
[ Edit | View ]

Date Posted: 08:48:46 01/11/03 Sat

Relendo o meu texto:
Do meu texto
Entretanto, eu percebi que Healey em EGBERT & HANSON-SMITH 1999 vão de um extremo ao outro do pêndulo quando nos demonstram no quadrante possíveis etapas de construçao da autonomia via tecnologia.
Em vez de etapas eu diria 'settings'.
Do meu texto:
Healey demonstra no quadrante um possível processo com um produto ideal de ' autonomia plena '.Na minha opinião, quando ela fala de autonomia plena ela está defendendo a nova perspectiva de autonomia na educaçao.
Reescrevendo:
Healey demonstra no quadrante possíveis settings usados como fontes de estruturas na aprendizagem autônoma.


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