Author: Shirlene Bemfica de Oliveira
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Date Posted: 11:38:00 12/16/02 Mon
In reply to:
Isis Pordeus
's message, "Freire e Foucault - 16 a 21 de dezembro" on 08:09:56 12/16/02 Mon
>Discuta os modelos de relações interpessoais segundo Freire e Foucault e suas implicações no ensino mediado por computador.
Warschauer (1997) discute acerca do impacto das aulas mediadas por computadores na educação. Para discutir os dois extremos da crítica de pesquisadores ao uso de computadores em sala de aula, ele faz um paralelo entre o panoptico de controle social de Foulcault como sendo os que são contra e a educação para a libertação de Freire representando os que aprovam o uso dos mesmos.
Alguns autores acreditam que aulas mediadas por computadores podem fazer com que as desigualdades sociais sejam reforçadas. Janangelo (1991) apud Warschauer (1997) afirma que nesta abordagem de ensinar o poder de controle do professor sobre a turma aumenta, pois ele pode controlar o número de entradas ou pode podar o que não é academicamente permitido no curso e tornar a aprendizagem um mero fator quantitativo. A máquina é só um meio de controle disciplinar e as vantagens são mínimas se levarmos em conta o controle que ela vai exercer sobre os alunos
Freire (1994) é contrário a esta posição e afirma que através da negociação, do que é viável e relevante, o aprendiz ganha autonomia, o professor exerce autoridade sem ser autoritário. A aprendizagem é baseada na colaboração, respeitando os ritmos diferenciados e aumentando a autonomia. A aprendizagem mediada pelo computador pode ser uma zona de construção do conhecimento através da interação. Freire acredita que através desta autonomia e aprendizagem que o aluno desenvolve ele se tornar livre. No ensino de língua estrangeira, a liberdade se dá quando o aluno é capaz de se comunicar de forma significativa. Almeida Filho (2001:26) quando menciona os sentidos centrais no ensino de uma língua estrangeira de forma comunicativa, ele reforça a primazia na construção de sentidos na LE num ambiente de compreensibilidade e ausência de pressão emocional. Através do computador as pressões emocionais são diminuídas e o aluno tem a liberdade de se expressar. Almeida Filho (2001:26) defende que o aluno deve “aprender comunicação na comunicação, mesmo que , no início com andaimes facilitadores”. A interação mediada por computadores pode ser este facilitador para o aluno.
Muitos autores apontam a reflexão como o caminho do desenvolvimento. “Há a união da ação e do pensamento, ou precisamente, quando há ação no pensamento e pensamento na ação” Kumaravadivelu (2001:541). Se o professor estiver consciente do seu papel de mediador que irá assumir nas listas de discussão on line, e consciente de que deve diminuir a sua posição de poder na sua relação com os alunos, ele poderá compreender melhor o processo e estratégias de aprendizagem deles, e tomará decisões mais acertadas
Freire (2001) afirma que somente mudando a visão de ensino bancário para progressista e despertando a consciência política dos educadores e alunos é que transformaremos a educação em um meio para diminuir as desigualdades. A educação mediada por computadores pode ser este meio de desenvolvimento crítico e pessoal de alunos e professores. Segundo Paiva (2001:97) “o ensino mediado por computadores, além de mais propício a um tipo de educação menos conservadora, representa um estímulo a abordagens de ensino mais centradas no aluno.” Segundo a autora, o aprendiz pode trabalhar sozinho ou se engajar em grupos, aprimorando assim sua inteligência interpessoal definida por Gardner como a “habilidade de compreender, trabalhar e conviver com os outros”. Segundo Warschauer (1997) cabe ao professor distanciar um pouco do processo para dar a oportunidade aos alunos de participarem mais ativamente e com mais autonomia. Paiva (2001:114) conceitua o bom professor como “aquele eu sabe promover ambientes que promovem a autonomia do aprendiz e que os desafia a aprender com o(s) outro(s) através de oportunidades de interação e de colaboração.”
Segundo Kumaravadivelu (2001) qualquer pedagogia é implicada nas relações de poder e dominação e é implementada para sustentar as desigualdade sociais, mas ela também se preocupa com a identidade social do indivíduo. É através da linguagem que formas de organização social e suas conseqüências são definidas e contestadas e é também através da linguagem que construímos nossa identidade e nossa subjetividade. As atividades mediadas por computador podem ser a alternativa para que os alunos construam sua própria identidade. A pedagogia da possibilidade e da liberdade proposta por Freire (2001) é uma forma de promover mudanças na educação, como educadores progressistas devemos nos comprometer com a responsabilidade de criar uma pedagogia do “desejo” Freire (2001) em um contexto em que as pessoas possam questionar as situações em que se encontram de modo a mudar e serem participantes ativos na história.
ALMEIDA FILHO, J. C. P. O ensino de línguas no Brasil de 1978. E agora? In: Revista Brasileira de Lingüística Aplicada. ALAB. Associação de Lingüística Aplicada do Brasil. v.1, nº1.2001:15-29.
KUMARAVADIVELU, B. Toward a postmethod pedagogy. TESOL Quarterly, v.35, n.5, 2001, p. 537-560.
FREIRE, P. Impossível existir sem sonhos. In: FREIRE, A. M. A. (org.) Pedagogia dos sonhos impossíveis. SP. UNESP. 2001. p. 35-54.
PAIVA, V. M. O. A www e o ensino de inglês. In: Revista Brasileira de Lingüística Aplicada. ALAB. Associação de Lingüística Aplicada do Brasil. v.1, nº1.2001:93-116.
WARSCHAUER, M. & LEPEINTRE, S.(1997). Freire’s dream or Foucault’s nightmare: Teacher-student relation on an international computer network. In: R. Debski, J. Gassin, & M. Smith. (Eds.), Language learning through social computing (pp.67-89). Parkville, Australia: Applied Linguistics Association of Australia.
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